House agency ou agência de verdade?

Todos sabemos que quando o anunciante é próprio dono da agência, ao tentar produzir qualquer trabalho de comunicação de marketing  geralmente não sai nada que se aproveite,  por várias  razões: a primeira delas aparece no momento em que um leigo tenta mostrar competência  em um assunto para o qual não está minimamente  preparado. “Nada de chamar esse pessoal de agência, porque  o nosso chefe é um cara criativo e vai fazer umas bolações…” A segunda  é que, a partir daí, a inibição toma conta dos que trabalham na house e por isso mesmo ninguém vai ter coragem de discutir  as sábias decisões do chefe agora travestido de gênio da criação.

 

Comparativamente é como se uma agência de publicidade ou um jornal, pelo fato  de utilizar muito software e hardware, decidissem posar de cientistas da engenharia de computação e começassem a tentar desenvolver hard, software e outros  sistemas capazes de substituir esses importantes elementos. Seria um fracasso e aí vale lembrar do velho ditado: “cada macaco no seu galho”.

 

Nos meus mais de 60 anos trabalhando em publicidade já vi muitos exemplos de fracasso de anunciantes que entenderam de montar ‘house agency” com a intenção de economizar uns trocados e substituir a agência de publicidade. Não deu outra, os resultados da tal criatividade foram pífios e o mais grave é que depois botaram a culpa na propaganda com a estapafúrdia desculpa: “gastamos uma fabula em propaganda e não tivemos os resultados esperados..” Seria de estranhar se tivessem obtido algum bom resultado.

 

Acabamos de ver um caso semelhante: algumas pessoas do governo resolveram fazer internamente uma campanha, talvez nem houvesse a intenção de montar uma “house agency.” A verdade é que o trabalho apresentado, foi qualificado como tosco pelas cabeças pensantes do governo que chamaram sua agencia para resolver o problema. E ela resolveu brilhantemente.  Parabéns ao governo pela sábia decisão.

 

Acontecimentos semelhantes servem para nos mostrar que house agency só pode ser qualificada assim: house é aquele lugar  pra onde a gente volta no fim do dia após encerrar o expediente na agency

 

Humberto Mendes

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